rrados lá dentro.
Estava ali deitada, agarrada ao ovo, quando sentiu o bebê
mover-se na barriga... como se estivesse estendendo uma mão,
irmão para irmão, sangue para sangue.
- Você é o dragão - segredou Dany para o filho -, o dragão
verdadeiro. Eu sei. Eu sei - sorriu, e adormeceu sonhando com
a terra natal.

Bran

Caía uma neve ligeira. Bran conseguia sentir os flocos
derretendo em seu rosto quando tocavam sua pele como a
mais leve das chuvas. Endireitou-se em cima do cavalo,
observando a porta levadiça ser içada. Esforçando-se o
máximo possível para permanecer calmo, o coração
palpitava-lhe no peito.
- Estamos prontos? - Robb perguntou.
Bran acenou, tentando não mostrar o medo que sentia. Não
estivera fora de Winterfell desde a queda, mas estava
determinado a sair com tanto orgulho como qualquer
cavaleiro.
- Então vamos - Robb encostou os calcanhares no seu grande
castrado cinzento e branco, e o cavalo avançou trotando sob a
porta levadiça.
- Vai - sussurrou Bran ao seu cavalo. Tocou-lhe levemente o
pescoço e a pequena potra castanha avançou. Bran a
chamara Dançarina. Tinha dois anos, e Joseth dizia que era
mais inteligente do que um cavalo tinha direito de ser.
Tinham-lhe dado um treinamento especial para responder às
rédeas, à voz e ao toque. Até aquele momento, Bran só a
montara no pátio. A princípio, Joseth ou Hodor a puxavam
pela mão, enquanto Bran se sentava em seu dorso amarrado à
grande sela que o Duende tinha desenhado para ele, mas na
última quinzena montara-a sozinho, fazendo-a trotar, às
voltas, tornando-se mais ousado a cada circuito.
Passaram sob a porta levadiça, sobre a ponte levadiça e
através das muralhas exteriores. Verão e Vento Cinzento
vinham aos saltos ao lado deles, farejando o vento. Logo atrás
vinha Theon Greyjoy, com seu arco e uma aljava cheia de
setas de ponta larga; segundo lhes dissera, tinha em mente
abater um veado, Era seguido por quatro guardas revestidos
de cota de malha na cabeça e no tronco, e por Joseth, um
cavalariço magro como um espeto que Robb nomeara mestre
dos cavalos enquanto Hullen estava longe. Meistre Luwin
ocupava a retaguarda, montado num burro, Bran teria
preferido que ele e Robb tivessem saído sozinhos, só os dois,
mas Hal Mollen nem quisera ouvir falar da ideia, e Meistre
Luwin o apoiara. Se Bran caísse do cavalo ou se ferisse, o
meistre estava determinado a estar junto dele.
A porta do castelo ficava a praça do mercado, cujas barracas
de madeira se encontravam agora desertas. Avançaram pelas
ruas lamacentas da aldeia, passando por fileiras de pequenas
casas bem-arranjadas feitas de troncos e pedra nua. Menos de
uma em cinco estava ocupada, com finas linhas de fumaça
enrolando-se sobre suas chaminés. As outras se encheriam,
uma a uma, à medida que fosse ficando mais frio. Quando a
neve caísse e os ventos gelados uivassem do norte, dizia a
Velha Ama, os agricultores deixariam seus campos congelados
e fortificações distantes, carregariam suas carroças e então a
Vila de Inverno ganharia vida. Bran nunca o vira, mas
Meistre Luwin dizia que esse dia se aproximava. O fim do
longo verão estava próximo. O inverno está para chegar.
Alguns aldeões seguiram ansiosamente com os olhos os lobos
gigantes enquanto os cavaleiros passavam por eles, e um
homem deixou cair a lenha que transportava, fugindo com
medo, mas a maior parte das gentes da terra já se habituara
àquela visão. Dobravam o joelho ao ver os rapazes, e Robb
saudava cada um com um aceno senhorial.
Com as pernas incapazes de apertar, o movimento oscilante
do cavalo fez a princípio com que Bran se sentisse instável,
mas a enorme sela com seu grosso arção dianteiro e o elevado
apoio nas costas o embalava confortavelmente, e as presilhas
em torno do peito e das coxas não lhe permitiriam cair. Após
algum tempo, o ritmo começou a parecer quase natural. A
ansiedade desvaneceu-se e um sorriso trêmulo nasceu em seu
rosto.
Duas criadas estavam paradas sob o letreiro do Tronco
Fumegante, a cervejaria da aldeia. Quando Theon Greyjoy as
chamou, a mais nova ficou toda vermelha e cobriu o rosto.
Theon esporeou a montaria para se pôr ao lado de Robb.
- Doce Kyra - disse, com uma gargalhada. - Contorce-se como
uma doninha na cama, mas basta dizer-lhe uma palavra na
rua para ficar cor-de-rosa como uma donzela. Já te falei
daquela noite em que ela e Bessa...
- Aqui, onde meu irmão pode ouvir, não, Theon - preveniu
Robb, olhando para Bran de relance.
Bran afastou o olhar e fingiu não ter ouvido, mas podia sentir
os olhos de Greyjoy postos nele. Estaria sem dúvida sorrindo.
Sorria muito, como se o mundo fosse uma piada secreta que
só ele era suficientemente inteligente para compreender.
Robb parecia admirar Theon e gostar de sua companhia, mas
Bran nunca simpatizara com o protegido do pai.
Robb aproximou-se.
- Está indo bem, Bran.
- Quero ir mais depressa - ele respondeu.
Robb sorriu.
- Como quiser - pôs o castrado a trote. Os lobos correram
atrás dele. Bran agitou bruscamente as rédeas e Dançarina
acelerou o passo. Ouviu u